GRUPO ESPÍRITA AGOSTINHO E TEREZA DE JESUS

O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; Como filosofia, compreende todas as consequências morais que faz brotar dessas mesmas relações. Podemos defini-lo assim: Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bom como de suas relações com o mundo corporal.

E ainda, o Espiritismo é uma ciência nova que vem revelar aos homens, por meios de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo. Ele nos mostra, não mais como coisa sobrenatural, porém ao contrário, como uma das forças vivas sem cessar atuantes da natureza, como fonte de uma imensidade de fenômenos até hoje incompreendidos e , por isso, relegados para o domínio do fantástico e do maravilhoso. É a essas relações que o Cristo refere-se em muitas circunstâncias e daí vem que muito do que Ele disse permaneceu obscuro ou falsamente interpretado.

O Espiritismo é a chave com o auxílio da qual tudo se explica de modo fácil.

Allan Kardec


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

LIÇÕES DO SENHOR NO CÍRCULO MAIS ÍNTIMO












O santo desiludido
Inclinara-se a palestra, no lar humilde de Cafarnaum, para os assuntos alusivos
à devoção, quando o Mestre narrou com significativo tom de voz:
— Um venerado devoto retirou-se, em definitivo, para uma gruta isolada, em
plena floresta, a pretexto de servir a Deus. Ali vivia, entre orações e pensamentos
que julgava irrepreensíveis, e o povo, crendo tratar-se de um santo messias, passou
a reverenciá-lo com intraduzível respeito. Se alguém pretendia efetuar qualquer
negócio do mundo, dava-se pressa em buscar-lhe o parecer. Fascinado pela alheia
consideração, o crente, estagnado na adoração sem trabalho, supunha dever situar
toda gente em seu modo de ser, com a respeitável desculpa de conquistar o
paraíso.
Se um homem ativo e de boa-fé lhe trazia à apreciação algum plano de serviço
comercial, ponderava, escandalizado:
— Um erro. Apague a sede de lucro que lhe ferve nas veias. Isto é ambição
criminosa. Venha orar e esquecer a cobiça.
Se esse ou aquele jovem lhe rogava opinião sobre o casamento, clamava, aflito:
— É disparate. A carne está submetendo o seu espírito. Isto é luxúria. Venha
orar e consumir o pecado.
Quando um ou outro companheiro lhe implorava conselho acerca de algum
elevado encargo, na administração pública, exclamava, compungido: um desastre.
Afaste-se da paixão pelo poder. Isto é vaidade e orgulho. Venha orar e vencer os
maus pensamentos.
Surgindo pessoa de bons propósitos, reclamando-lhe a opinião quanto a alguma
festa de fraternidade em projeto, objetava, irritadiço:
— Uma calamidade. O júbilo do povo édesregramento. Fuja à desordem. Venha
orar, subtraindo-se à tentação.
E assim, cada consulente, em vista da imensa autoridade que o santo
desfrutava, se entristecia de maneira irremediável e passava a partilhar-lhe os ócios
na soledade, em absoluta paralisia da alma.
O tempo, todavia, que tudo transforma, trouxe ao preguiçoso adorador a morte
do corpo físico.
Todos os seguidores dele o julgaram arrebatado ao Céu e ele mesmo acreditou
que, do sepulcro, seguiria direto ao paraíso. Com inexcedível assombro, porém, foi
conduzido por forças das trevas a terrível purgatório de assassinos. Em pranto
desesperado indagou, à vista de semelhante e inesperada aflição, dos motivos que
lhe haviam sitiado o espírito em tão pavoroso e infernal torvelinho, sendo
esclarecido que, se não fora homicida vulgar na Terra, era ali identificado como
matador da coragem e da esperança em centenas de irmãos em humanidade.
Silenciou Jesus, mas João, muito admirado, considerou:
— Mestre, jamais poderia supor que a devoção excessiva conduzisse alguém a
infortúnio tão grande!
O Cristo, porém, respondeu, imperturbável:
— Plantemos a crença e a confiança entre os homens, entendendo, entretanto,
que cada criatura tem o caminho que lhe é próprio. A fé sem obras é uma lâmpada
apagada. Nunca nos esqueçamos de que o ato de desanimar os outros, nas santas
aventuras do bem, é um dos maiores pecados diante do Poderoso e Compassivo
Senhor.

LIVRO JESUS NO LAR






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