GRUPO ESPÍRITA AGOSTINHO E TEREZA DE JESUS

O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; Como filosofia, compreende todas as consequências morais que faz brotar dessas mesmas relações. Podemos defini-lo assim: Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bom como de suas relações com o mundo corporal.

E ainda, o Espiritismo é uma ciência nova que vem revelar aos homens, por meios de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo. Ele nos mostra, não mais como coisa sobrenatural, porém ao contrário, como uma das forças vivas sem cessar atuantes da natureza, como fonte de uma imensidade de fenômenos até hoje incompreendidos e , por isso, relegados para o domínio do fantástico e do maravilhoso. É a essas relações que o Cristo refere-se em muitas circunstâncias e daí vem que muito do que Ele disse permaneceu obscuro ou falsamente interpretado.

O Espiritismo é a chave com o auxílio da qual tudo se explica de modo fácil.

Allan Kardec


quinta-feira, 31 de maio de 2018

LIÇÕES DO SENHOR NO CÍRCULO MAIS ÍNTIMO












A exaltação da cortesia
À frente da multidão de sofredores e desalentados, relacionou o Mestre as bemaventuranças,
destacando, com ênfase, a declaração de que os mansos herdariam
a Terra.
A afirmativa, porém, soou entre os discípulos de maneira menos agradável.
Tal asserção não seria encorajamento à ociosidade mental?
Se o Evangelho reclamava espíritos valorosos na sementeira das verdades
renovadoras, como acomodar a promessa com a necessidade do destemor? Se o
mal era atrevido e contundente, em todos os climas e posições, como estabelecer o
triunfo inadiável do bem através da incapacidade de reagir, embora pacificamente?
Nessas interrogações imprecisas, reuniu-se a assembleia familiar no domicilio
de Pedro.
Iniciados os comentários edificantes da noite, entreolhavam-se os discípulos
entre a indagação e a curiosidade.
O Divino Amigo parecia perceber os motivos da expectação, em torno, mas
esperava, sereno, que os seguidores se pronunciassem.
Foi então que Judas, rompendo o véu de respeito que aureolava a presença do
Mestre, inquiriu, loquaz:
— Senhor, por que atribuiste aos mansos
a posse final da Terra? Os corações acovardados
gozarão de semelhante bênção? Os incapazes de
testemunhar a fé, nos momentos graves de luta
e sacrifício, serão igualmente bem-aventurados? Jesus não respondeu, de imediato.
Vagueou o olhar, através dos circunstantes, como a pedir-lhes a exposição de
quaisquer dúvidas que lhes povoassem a alma.
Pedro cobrou ânimo e perguntou:
— Sim, Mestre: se um malfeitor visitar-me a casa, não devo recordar-lhe os
imperativos do acatamento recíproco? entregar-me-ei sem qualquer admoestação
fraternal aos seus delituosos caprichos, a pretexto de guardar a mansidão a que te
referiste?
O Cristo sorriu, como tantas vezes, e enunciou, calmo:
— Enganaram-se todos, naturalmente. Eu não fiz o elogio da preguiça, que se
mascara de humildade, nem da covardia que se veste de cordura para melhor
acomodar-se às conveniências humanas. As criaturas que se afeiçoam a
semelhantes artifícios sofrerão duramente os instrumentos espirituais de que o
mundo se utiliza para reajustar os caracteres tortuosos e indecisos. Exaltei, na
realidade, a cortesia de que somos credores uns dos outros. Bem-aventurados os
homens de trato ameno que sabem usar a energia construtiva entre o gesto de
bondade e o verbo da compreensão! Bem-aventurados os filhos do equilíbrio e da
gentileza que aprendem a negar o mal, sem ferir o irmão ignorante que o solicita
sem saber o que pede! Abençoados os que repetem mil vezes a mesma lição, sem
alarde, para que o próximo lhes aproveite a influenciação na felicidade justa de
todos! Bem-aventurados aqueles que sabem tratar o rico e o pobre, o sábio e o
inculto, o bom e o mau, com espírito de serviço e entendimento, dando a cada um,
de conformidade com os seus méritos e necessidades e deixando os sinais de
melhoria, de elevação, bem-estar e contentamento por onde cruzam! Em verdade
vos digo que a eles pertencerá o domínio espiritual da Terra, porque todo aquele
que acolhe os semelhantes, dentro das normas do amor e do respeito, é senhor dos
corações que se aperfeiçoam no mundo!
Alívio e alegria transbordaram do ânimo geral e, de olhos fitos, agora, nas águas
imensas do grande lago, o Senhor pediu a Mateus encerrasse o fraterno
entendimento da noite, pronunciando uma prece.

LIVRO JESUS NO LAR






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