GRUPO ESPÍRITA AGOSTINHO E TEREZA DE JESUS

O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; Como filosofia, compreende todas as consequências morais que faz brotar dessas mesmas relações. Podemos defini-lo assim: Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bom como de suas relações com o mundo corporal.

E ainda, o Espiritismo é uma ciência nova que vem revelar aos homens, por meios de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo. Ele nos mostra, não mais como coisa sobrenatural, porém ao contrário, como uma das forças vivas sem cessar atuantes da natureza, como fonte de uma imensidade de fenômenos até hoje incompreendidos e , por isso, relegados para o domínio do fantástico e do maravilhoso. É a essas relações que o Cristo refere-se em muitas circunstâncias e daí vem que muito do que Ele disse permaneceu obscuro ou falsamente interpretado.

O Espiritismo é a chave com o auxílio da qual tudo se explica de modo fácil.

Allan Kardec


sábado, 30 de setembro de 2017

LIÇÕES DO SENHOR NO CÍRCULO MAIS ÍNTIMO












O mensageiro do amor
Falava-se na reunião, com respeito à preponderância dos sábios na Terra,
quando Jesus tomou a palavra e contou, sereno e simples:
— Há muitos anos, quando o mundo perigava em calamitosa crise de
ignorância e perversidade, o Poderoso Pai enviou-lhe um mensageiro da ciência,
com a missão de entregar-lhe gloriosa mensagem de vida eterna. Tomando forma,
nos círculos da carne, o esclarecido obreiro fêz-se professor e, sumamente
interessado em letras, apaixonou-se exclusivamente pelas obras da inteligência,
afastando-se, enojado, da multidão inconsciente e declarando que vivia numa
vanguarda luminosa, inacessível à compreensão das pessoas comuns.
Observando-o incapaz de atender aos compromissos assumidos, o Senhor
Compassivo providenciou a viagem de outro portador da ciência que, decorrido
algum tempo, se transformou em médico admirado. O novo arauto da Providência
refugiou-se numa sala de ervas e beberagens, interessando-se tão-somente pelo
contacto com enfermos importantes, habilitados à concessão de grandes
recompensas, afirmando que a plebe era demasiado mesquinha para cativar-lhe a
atenção. O Todo-Bondoso determinou, então, a vinda de outro emissário da ciência,
que se converteu em guerreiro célebre. Usou a espada do cálculo com mestria, pôsse
à ilharga de homens astuciosos e vingativos e, afastando-se dos humildes e dos
pobres, afirmava que a única finalidade do povo era a de salientar a glória dos
dominadores sanguinolentos. Contristado com tanto insucesso, o Senhor Supremo
expediu outro missionário da ciência, que, em breve, se fêz primoroso artista.
Isolou-se nos salões ricos e fartos, compondo música que embriagasse de prazer o
coração dos homens provisoriamente felizes e afiançou que o populacho não lhe seduzia
a sensibilidade que ele mesmo acreditava excessivamente avançada para o
seu tempo.
Foi, então, que o Excelso Pai, preocupado com tantas negações, ordenou a
vinda de um mensageiro de amor aos homens.
Esse outro enviado enxergou todos os quadros da Terra, com imensa piedade.
Compadeceu-se do professor, do médico, do guerreiro e do artista, tanto quanto se
comoveu ante a desventura e a selvageria da multidão e, decidido a trabalhar em
nome de Deus, transformou-se no servo diligente de todos. Passou a agir em benefício
geral e, identificado com o povo a que viera servir, sabia desculpar
infinitamente e repetir mil vezes o mesmo esforço ou a mesma lição. Se era
humilhado ou perseguido, buscava compreender na ofensa um desafio benéfico à
sua capacidade de desdobrar-se na ação regeneradora, para testemunhar
reconhecimento à confiança do Pai que o enviara. Por amar sem reservas os seus
irmãos de luta, em muitas situações foi compelido a orar e pedir o socorro do Céu,
perante as garras da calúnia e do sarcasmo; entretanto, entendia, nas mais baixas
manifestações da natureza humana, dobrados motivos para consagrar-se, com mais
calor, à melhoria dos companheiros animalizados, que ainda desconheciam a
grandeza e a sublimidade do Pai Benevolente que lhes dera o ser.
Foi assim, fazendo-se o último de todos, que conseguiu acender a luz da fé
renovadora e da bondade pura no coração das criaturas terrestres, elevando-as a
mais alto nível, com plena vitória na divina missão de que fora investido.
Houve ligeira pausa na palavra doce do Messias e, ante a quietude que se fizera
espontânea no ruidoso ambiente de minutos antes, concluiu ele, com expressivo
acento na voz:
— Cultura e santificação representam forças inseparáveis da glória espiritual. A
sabedoria e o amor são as duas asas dos anjos que alcançaram o Trono Divino,
mas, em toda parte, quem ama segue à frente daquele que simplesmente sabe.
LIVRO JESUS NO LAR



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