GRUPO ESPÍRITA AGOSTINHO E TEREZA DE JESUS

O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; Como filosofia, compreende todas as consequências morais que faz brotar dessas mesmas relações. Podemos defini-lo assim: Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bom como de suas relações com o mundo corporal.

E ainda, o Espiritismo é uma ciência nova que vem revelar aos homens, por meios de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo. Ele nos mostra, não mais como coisa sobrenatural, porém ao contrário, como uma das forças vivas sem cessar atuantes da natureza, como fonte de uma imensidade de fenômenos até hoje incompreendidos e , por isso, relegados para o domínio do fantástico e do maravilhoso. É a essas relações que o Cristo refere-se em muitas circunstâncias e daí vem que muito do que Ele disse permaneceu obscuro ou falsamente interpretado.

O Espiritismo é a chave com o auxílio da qual tudo se explica de modo fácil.

Allan Kardec


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

LIÇÕES DO SENHOR NO CÍRCULO MAIS ÍNTIMO












O revolucionário sincero
No curso das elucidações domésticas, Judas conversava, entusiástico, sobre as
anomalias na governança do povo, e, exaltado, dizia das probabilidades de
revolução em Jerusalém, quando o Senhor comentou, muito calmo:
— Um rei antigo era considerado cruel pelo povo de sua pátria, a tal ponto que
o principal dos profetas do reino foi convidado a chefiar uma rebelião de grande
alcance, que o arrancasse do Trono.
O profeta não acreditou, de início, nas denúncias populares, mas a multidão
insistia. “O rei era duro de coração, era mau senhor, perseguia, usurpava e flagelava
os vassalos em todas as direções» — clamava-se desabridamente.
Foi assim que o condutor de boa-fé se inflamou, igualmente, e aceitou a ideia
de uma revolução por único remédio natural e, por isso, articulou-a em silêncio, com
algumas centenas de companheiros decididos e corajosos. Na véspera do
cometimento, contudo, como possuía segura confiança em Deus, subiu ao topo dum
monte e rogou a assistência divina com tamanho fervor que um Anjo das Alturas lhe
foi enviado para confabulação de espírito a espírito.
A frente do emissário sublime, o profeta acusou o soberano, asseverando
quanto sabia de oitiva e suplicando aprovação celeste ao plano de revolta
renovadora.
O mensageiro anotou-lhe a sinceridade, escutou-o com paciência e esclareceu:
— «Em nome do Supremo Senhor, o projeto ficará aprovado, com uma condição.
Conviverás com o rei, durante cem dias consecutivos, em seu próprio palácio, na
posição de servo humilde e fiel, e, findo esse tempo, se a tua consciência perseverar
no mesmo propósito, então lhe destruirás o trono, com o nosso apoio».
O chefe honesto aceitou a proposta e cumpriu a determinação.
Simples e sincero, dirigiu-se à casa real, onde sempre havia acesso aos
trabalhos de limpeza e situou-se na função de apagado servidor; no entanto, tão
logo se colocou a serviço do monarca, reparou que ele nunca dispunha de tempo
para as menores obrigações alusivas ao gosto de viver. Levantava-se rodeado de
conselheiros e ministros impertinentes, era atormentado por centenas de
reclamações de hora em hora. Na qualidade de pai, era privado da ternura dos
filhos; na condição de esposo, vivia distante da companheira. Além disso, era obrigado,
frequentemente, a perder o equilíbrio da saúde física, em vista de banquetes
e cerimônias, excessivamente repetidos, nos quais era compelido a ouvir toda a
sorte de mentiras da boca de súditos bajuladores e ingratos. Nunca dormia, nem se
alimentava em horas certas e, onde estivesse, era constrangido a vigiar as próprias
palavras, sendo vedada ao seu espírito qualquer expressão mais demorada de vida
que não fôsse o artifício a sufocar-lhe o coração.
O orientador da massa popular reconheceu que o imperante mais se
assemelhava a um escravo, duramente condenado a servir sem repouso, em plena
solidão espiritual, porqüanto o rei não gozava nem mesmo a facilidade de cultivar a
comunhão com Deus, por intermédio da prece comum.
Findo o prazo estabelecido, o profeta, radicalmente transformado, regressou ao
monte para atender ao compromisso assumido, e, notando que o Anjo lhe aparecia,
no curso das orações, implorou-lhe misericórdia para o rei, de quem ele agora se
compadecia sinceramente. Em seguida, congregou o povo e notificou a todos os
companheiros de ideal que o soberano era, talvez, o homem mais torturado em
todo o reino e que, ao invés da suspirada insubmissão, competia-lhes, a cada um,
maior entendimento e mais trabalho construtivo, no lugar que lhes era próprio dentro
do país, a fim de que o monarca, de si mesmo tão escravizado e tão desditoso,
pudesse cumprir sem desastres a elevada missão de que fora investido.
E, assim, a rebeldia foi convertida em compreensão e serviço.
Judas, desapontado, parecia ensaiar alguma ponderação irreverente, mas o
Mestre Divino antecipou-se a ele, falando, incisivo:
— A revolução é sempre o engano trágico daqueles que desejam arrebatar a
outrem o cetro do governo. Quando cada servidor entende o dever que lhe cabe no
plano da vida, não há disposição para a indisciplina, nem tempo para a insubmissão.

LIVRO JESUS NO LAR






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