GRUPO ESPÍRITA AGOSTINHO E TEREZA DE JESUS

O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; Como filosofia, compreende todas as consequências morais que faz brotar dessas mesmas relações. Podemos defini-lo assim: Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bom como de suas relações com o mundo corporal.

E ainda, o Espiritismo é uma ciência nova que vem revelar aos homens, por meios de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo. Ele nos mostra, não mais como coisa sobrenatural, porém ao contrário, como uma das forças vivas sem cessar atuantes da natureza, como fonte de uma imensidade de fenômenos até hoje incompreendidos e , por isso, relegados para o domínio do fantástico e do maravilhoso. É a essas relações que o Cristo refere-se em muitas circunstâncias e daí vem que muito do que Ele disse permaneceu obscuro ou falsamente interpretado.

O Espiritismo é a chave com o auxílio da qual tudo se explica de modo fácil.

Allan Kardec


sexta-feira, 30 de março de 2018

LIÇÕES DO SENHOR NO CÍRCULO MAIS ÍNTIMO












O ministro sábio
Mateus discorria, solene, sobre a missão dos que dirigem a massa popular,
especificando deveres dos administradores e dificuldades dos servos.
A conversação avançava, pela noite a dentro, quando Jesus, notando que os
aprendizes lhe esperavam a palavra amiga, narrou, sorridente:
— Um reino existia, em cuja intimidade apareceu um grande partido de
adversários do soberano que o governava. Pouco a pouco, o espírito de rebeldia
cresceu em certas famílias revoltadas e, a breves semanas, toda uma província em
desespero se ergueu contra o monarca, entravando-lhe as ações.
Naturalmente preocupado, o rei convidou um hábil juiz para os encargos de
primeiro ministro do país, desejoso de apagar a discórdia; mas o juiz começou a
criar quantidade enorme de leis e documentos escritos, que não chegaram a operar
a mínima alteração.
Desiludido, o imperante substituiu-o por um doutrinador famoso, O tribuno,
porém, conduzido à elevada posição, desfez-se em discursos veementes e
preciosos que não modificaram a perturbação reinante.
Continuavam os inimigos internos solapando o prestigio nacional, quando o
soberano pediu o socorro de um sacerdote que, situado em tão nobre posto,
amaldiçoou, de imediato, os elementos contrários ao rei, piorando o problema.
Desencantado, o monarca trouxe um médico à direção dos negócios gerais,
mas tão logo se viu em palácio, partilhando as honras públicas, o novo ministro
afirmou, para conquistar o favor régio, que o partido de adversários da Coroa se
constituía de doentes mentais, e fêz disso propaganda tão ruinosa que a indisciplina
se tornou mais audaciosa e a revolta mais desesperada.
Pressentindo o trono em perigo, o soberano substituiu o médico por um general
célebre, que tomou providência drástica, arregimentando forças armadas nas
regiões fiéis e mobilizando-as contra os irmãos insubmissos. Estabeleceu-se a
guerra civil. E quando a morte começou a ceifar vidas inúmeras, inclusive a do
temido lidador militar que se convertera em primeiro ministro do reino, o imperante,
de alma confrangida, convidou um sábio a ocupar-se do posto então vazio. Esse
chegou à administração, meditou algum tempo e deu início a novas atividades. Não
criou novas leis, não pronunciou discursos, não censurou os insurretos, não perdeu
tempo em zombaria e nem estimulou qualquer cultura de vingança.
Dirigiu-se em pessoa à região conflagrada, a fim de observar-lhe as
necessidades.
Reparou, aí, a existência de inúmeras criaturas sem teto, sem trabalho e sem
instrução, e erigiu casas, criou oficinas, abriu estradas e improvisou escolas,
incentivando o serviço e a educação, lutando, com valioso espírito de entendimento
e fraternidade, contra a preguiça e a ignorância.
Não transcorreu muito tempo e todas as discórdias do reino desapareceram,
porque a ação concreta do bem eliminara toda a desconfiança, toda a dureza e
indecisão dos espíritos enfermiços e inconformados.
Mateus contemplava o Senhor, embevecidamente, deliciando-se com as ideias
de bondade salvadora que enunciara, e Jesus, respondendo-lhe à atenção com
luminoso sorriso, acrescentou para finalizar:
— O ódio pode atear muito incêndio de discórdia, no mundo, mas nenhuma
teoria de salvação será realmente valiosa sem o justo benefício aos espíritos que a
maldade ou a rebelião desequilibraram. Para que o bem possa reinar entre os
homens, há de ser uma realidade positiva no campo do mal, tanto quanto a luz há
de surgir, pura e viva, a fim de expulsar as trevas.
LIVRO JESUS NO LAR






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